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Público classe A, Mídia classe D era (sem assunto)

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: Fernando Toledo (fernandotoledo_at_hobeco.net)
Data: Qui 25 Set 2003 - 11:59:40 BRT

Clarimundo:
> Olha, o samba nunca foi considerado um tipo de música de alto nível aqui
no Brasil, sempre foi tratado com certo preconceito, apesar de sempre ter
sido reconhecido como a nossa principal expressão musical. Nair de Tefé,
mulher do presidente Venceslau Braz, foi cruscificada pelo Rui Barbosa ao
levar Chiquinha Gozaga para tocar no Palácio Guanabara. Provocou uma crise
grave na velha república. O primeiro sambista a ter tratamento vip na
indústria fonográfica foi Martinho da Vila. Clara Nunes também alcançou um
status importante. Paulinho só conseguiu um show solo no Canecão
recentemente e nunca o colocam entre os grandes compositores surgidos nos
anos 60, como os sempre lembrados Chico, Caetano e Gil.
> A velha guarda do samba passou a ser valorizada nos anos 60.
> Acho difícil qualquer empresa patrocinar algo como um Festival de Samba e
Choro, nos moldes de um Free Jazz, mas, com fé no imbatível Santo Expedito,
podemos até ser supreendidos.

Eu:
Primeiro, uma dúvida: A Nair de Teffé era cartunista também ou estou
misturando as figuras na minha cabeça?
Bem, agora, de volta ao samba:
Curiosamente, o samba se encontra hoje em posição paradoxal, pois hoje é
ouvido por um público classe A (em termos de Cultura, não necessariamente de
grana, apesar das gracinhas tipos caixas do SESC e da Elza, fora do alcance
da maioria dos mortais brasileiros), mas a mídia lhe atribui um status
classe D. Quando anuncia um sambista, é sempre como: "Esse é de raiz,
produto do morro, olhem só a música que esses favelados produzem, como eles
são engraçados, alguém aí trouxe os espelhinhos e as miçangas, hei, você,
seu sambista, não tem aí uma feijoada no bolso? Não? Ué, e se você sentir
fome de repente aqui na gravação? Sei, sei, tem uma cantina, mas eles não
servem angu, dobradinha, essas coisas que você tá acostumado". Bem assim.
Aliás, o Zeca se emputeceu com o cardápio do MTV e, no dia seguinte,
organizou uma dobradinha lá...
Uma frase ouvida numa reunião de executivos: "Vôo da VASP (que é uma bosta m
esmo, outro dia quase tive uma síncope, os pilotos da companhia devem
treinar em Barretos, com aqueles cavalos chucros) é que nem letra de samba,
ninguém quer". Ouvi, literalmente, isto. Ipsis litteris, sem tirar nem pôr.
De vez em quando sou sacaneado no meio: "E aí, e as rodas de samba?" - em
tom jocoso.
Por que rico brasileiro tem o hábito de ser tão escroto (e burro), alguém
pode me informar?
Um abraço,
Fernando Toledo

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