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Ler poesia

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: Eduardo S. Martins (edusima_at_uol.com.br)
Data: Ter 23 Set 2003 - 13:43:41 BRT

Mario, meu caro, te confesso que, em se tratando de poesia, tenho um defeito
que é não gostar de poesia contemporânea e sequer me esforçar para gostar e
conhecer. Por isso, estou sempre a reler Augusto dos Anjos, Drumond, o velho
Bandeira, Cassiano Ricardo, "O Padre de Ferro" do Murilo Mendes, "O
Acendedor de Lampiões" do Jorge de Lima, Cora Coralina, Fernando Pessoa,
João Cabral, Vinicius, algumas coisas do Ferreira Gullar, como "Açucar" do
livro "Toda Poesia". Portanto, não chego a ser um mané em termos de poesia,
conheço alguma coisinha, mas não gosto, por exemplo, do movimento
concretista, que na minha humilde opinião foi o responsável por esse
divórcio entre poesia e o grande público, complementado pelos movimentos
"cabeça" da "poesia-práxis", "poema/processo", que contribuíram para tornar
a "poesia" algo muito hermético e os "poetas" conhecidos apenas por um
pequeno grupo de iniciados, muito diferente de antigamente quando qualquer
um na esquina sabia que Bilac ouvia estrelas 'pálido de espanto'. Daí a
imensa maioria das pessoas, atualmente, identificarem nossos grandes poetas
na música popular. Orestes Barbosa, esse é o cara....
valeu!
Eduardo Martins

Obs: Augusto dos Anjos é precursor do movimento Punk. Vejam se o Ratos de
Porão não poderiam musicar esses versos:

"Louco, que emerges de apodrecimentos
Alma pobre, esquelético fantasma
Que gastaste a energina do teu plasma
Em combates estéreis, famulentos....

Em teus dias inúteis, foste apenas
um corvo ou sanguessuga de defuntos
vendo somente a cárie dos conjuntos
entre as sombras das lágrimas terrenas

Via os teus iguais, iguais aos odres
onde se guarda o fragmento imundo
de todo o esterco que apavora o mundo
e os tóxicos letais dos corpos podres.

E tanto viste os corpos e as matérias
no esterquilínio generalizados
e os instintos hidrófobos, danados
em meio de excrescências e misérias,

Que corrompeste a íntima saúde
da tua alma cegada de amargores
que na terra não viu os esplendores
e as ignívomas luzes da virtude...

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