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RES: Aldir Blanc - Coluna Carta Brasílis

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: Maurício Érnica (mauernica_at_ajato.com.br)
Data: Ter 23 Set 2003 - 12:12:39 BRT

Vou me arriscar a um sacrilégio, mas antes vou tentar me vacinar... rs

Nesse fuá todo, cada vez mais a bagunça fica maior. A cada exemplo,
pulam contra-exemplos. E por bons motivos... por excesso de qualidade.

Parece ser consenso que:
a) Há letras de música que podem ganhar autonomia em relação á música e
ser tratadas como poema.

b) Poemas podem ser musicados. (não ouso duvidar da criatividade alheia
e determinar limites para se musicar poesia, desde que seja verbal)

c) a especificidade da letra de música é ser cantada, o que contribui de
modo decisivo para a produção de sentido.

d) poemas musicados têm na música uma dimensão de produção de sentido.

Daí em diante, a nebulosa é maior que a clareza. Agora o sacrilégio
(talvez):

"Letra de música" e "poesia" são termos genéricos demais, que englobam
manifestações muito diferentes... Não chegam a determinar gêneros, com
características formais, temáticas e possibilidades estilísticas
delimitadas.

Há poemas no limite da prosa, há poemas milimetricamente calculados,
rigorosamente ritmados. No caso das letras, idem... (entre Construção,
do Chico, e Sampa Midnight, do Itamar Assumpção, cabe um mundo)

É por isso que eu disse uns dias atrás que um poema musicado "vira"
letra de música, pois funciona como tal, ainda que não deixe de ser um
poema, é óbvio. Do mesmo modo, uma letra que é "desmusicalizada", ou que
é declamada passa a funcionar como poema, ainda que não deixe de ser
letra de música.

Até mudar de idéia eu fico por aqui: letra de música e poema são coisas
diferentes, sim. Mas só porque há ausência ou presença do material
musical.
Para além disso, pra cada afirmação haverá um contra-exemplo. E não há
como fazer definições formais convincentes de letra de música ou de
poema pois esses termos se referem a manifestações muito diversas entre
si.

Abraços,
Mauricio

-----Mensagem original-----
De: tribuna-bounces@samba-choro.com.br
[mailto:tribuna-bounces@samba-choro.com.br] Em nome de iara teixeira
Enviada em: terça-feira, 23 de setembro de 2003 11:20
Para: Daniel Brazil
Cc: tribuna@samba-choro.com.br
Assunto: Re: [S-C] Aldir Blanc - Coluna Carta Brasílis

Oi Daniel,

Pois é justamente aí neste lindo fecho que eu me seguro prá tentar
fazer valer o argumento de que poema e letra de música podem,
algumas vezes, ser a mesma coisa.
São as fronteiras permeáveis, maleáveis, malemolentes a que o
Alberto se refere, e as quais eu me refiro.
Entendo perfeitamente que poema tem sua métrica e tudo
mais, só que as vezes (lembre que o poeta é um fingidor) escapa
um poeminha que vira música! Lógico que eu é que penso assim
isso não quer dizer que tenha razão o que afinal é um alívio,
não quero ter razão, eu quero é poder ler
letra de música e cantar poemas, de vez em quando!

Quanto a oralidade da poesia, Daniel, prá mim ela é tremendamente
importante, talvez eu também não tenha este ouvido interior bem
desenvolvido. Imagino que cada pessoa tenha sua maneira de apreciar
um poema, no meu caso prefiro ouvir poemas, e estrelas também!

Abraços

Iara

Daniel Brazil wrote:

> Belo texto do Borges, Iara!
>
> Aliás, existe um mistério, que o portenho espertamente disfarça com um
lindo
> fecho ("Mas algo sobra; e esse algo é a história ou a poesia, que não
são
> essencialmente distintas").
> A história não registra uma música grega! Apesar de toda a cultura
> desenvolvida por aquela civilização, não descobriram um jeito de
registrar
> as notas musicais. Fala-se de harmonia das esferas, decoram-se templos
e
> ânforas com imagens de músicos e dançarinos, mas não sabemos que tipo
de
> música era aquela, como soava.
> Daí que a história se confunde com a poesia, e a poesia às vezes vira
> história (Homero).
> Quanto à oralidade da poesia, discordo um pouquinho. Borges,
> compreensivelmente, perdeu a noção da poesia gráfica, escrita,
admirada
> plasticamente. Perdeu o "ouvido interior", que desenvolvemos até por
causa
> da poesia, pois toda a literatura passou a ser, para ele, oral.
Natural que
> estabeleça pontes com a origem oral da poesia, pois perdeu o elo com a
> evolução silenciosa, para dentro dos olhos, da poesia contemporânea.
>
> Que acha disso?
>
> Daniel Brazil
>
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