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Re: Aldir Blanc - Coluna Carta Brasílis

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: iara teixeira (iarart_at_terra.com.br)
Data: Ter 23 Set 2003 - 11:19:52 BRT

Oi Daniel,

Pois é justamente aí neste lindo fecho que eu me seguro prá tentar
fazer valer o argumento de que poema e letra de música podem,
algumas vezes, ser a mesma coisa.
São as fronteiras permeáveis, maleáveis, malemolentes a que o
Alberto se refere, e as quais eu me refiro.
Entendo perfeitamente que poema tem sua métrica e tudo
mais, só que as vezes (lembre que o poeta é um fingidor) escapa
um poeminha que vira música! Lógico que eu é que penso assim
isso não quer dizer que tenha razão o que afinal é um alívio,
não quero ter razão, eu quero é poder ler
letra de música e cantar poemas, de vez em quando!

Quanto a oralidade da poesia, Daniel, prá mim ela é tremendamente
importante, talvez eu também não tenha este ouvido interior bem
desenvolvido. Imagino que cada pessoa tenha sua maneira de apreciar
um poema, no meu caso prefiro ouvir poemas, e estrelas também!

Abraços

Iara

Daniel Brazil wrote:

> Belo texto do Borges, Iara!
>
> Aliás, existe um mistério, que o portenho espertamente disfarça com um lindo
> fecho ("Mas algo sobra; e esse algo é a história ou a poesia, que não são
> essencialmente distintas").
> A história não registra uma música grega! Apesar de toda a cultura
> desenvolvida por aquela civilização, não descobriram um jeito de registrar
> as notas musicais. Fala-se de harmonia das esferas, decoram-se templos e
> ânforas com imagens de músicos e dançarinos, mas não sabemos que tipo de
> música era aquela, como soava.
> Daí que a história se confunde com a poesia, e a poesia às vezes vira
> história (Homero).
> Quanto à oralidade da poesia, discordo um pouquinho. Borges,
> compreensivelmente, perdeu a noção da poesia gráfica, escrita, admirada
> plasticamente. Perdeu o "ouvido interior", que desenvolvemos até por causa
> da poesia, pois toda a literatura passou a ser, para ele, oral. Natural que
> estabeleça pontes com a origem oral da poesia, pois perdeu o elo com a
> evolução silenciosa, para dentro dos olhos, da poesia contemporânea.
>
> Que acha disso?
>
> Daniel Brazil
>
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