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Crítica: O silêncio emocionado que provoca a grande arte

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares_at_hotmail.com)
Data: Sáb 20 Set 2003 - 15:01:49 BRT

http://www.estado.com.br/editorias/2003/09/18/cad022.html

CRÍTICA: O silêncio emocionado que provoca a grande arte

Resta ao ouvinte, ao fim da audição, a introspeção trazida pela beleza
absoluta

Nascido no subúrbio carioca, terreno do choro que se constitui na vertente
mais constante da obra, Guinga se considera afilhado de Copacabana, zona
sul, para ele o bairro que sintetiza não apenas o Rio, mas do Brasil, pela
diversidade de seus tipos e hábitos. Daí a ode do Noturno Copacabana, choro
lento que dá nome ao disco e tem letra (não tão bem realizada quanto a
melodia) de Chico Bosco, filho de João Bosco.

O nome inicial do CD era Garoa e Maresia, homenagem a São Paulo e Rio,
cidades da paixão do carioquíssimo Guinga. Foi, afinal, em São Paulo (no
antigo Vou Vivendo) que ele primeiro subiu a palco para mostrar suas
composições.

Garoa e Maresia, choro ad libitum, é a faixa, instrumental, que abre o disco
e que faz destacar-se o ensolarado flugelhorn de Jessé Sadoc, com arranjo de
Lula Galvão. O violonista Lula assina também o arranjo da música título. As
outras outras têm tratamento instrumento assinado por Paulo Aragão,
brilhante violonista de apenas 23 anos, integrante do quarteto de violões
Maogani, grupo que faz participação especial em Fonte Abandonada, de Guinga
e Paulo César Pinheiro. É a estréia do menino nessa função.

É Leila Pinheiro, outra convidada, quem canta a Fonte Abandonada. Trata-se
de bela e emocionada canção escrita há 20 anos. Ficou guardada. A dupla tem
outras 40 parcerias inéditas, que Guinga pretende ir gravando a cada novo
disco.

Abluesado, letra extraordinária, como sempre, de Aldir Blanc, estabelece em
imagens oblíquas e às vezes muito engraçadas o parentesco do samba canção e
do blues. Além de falar dos abusos da influência, no subtexto sutil.

Noturno Copacabana tem mais três números instrumentais: Depois do Sonho
(valsa de Guinga e Luis Felipe Gama, inédita parceria melódica), e os choros
Na Surdina e Dichavado (em que o autor faz duo de violões com Lula Galvão).

O universo rítmico tem o maxixe (ou lundu?) Desavença, letra de Simone
Guimarães, que também co-assina o choro Rasgando Seda e do coco Para Jackson
e Almira. Mauro Aguiar é autor dos versos do samba-choro Concubinato e da
apaixonante valsa Canção Desnecessária, que encerra o CD.

Das 14 canções, 12 foram feitas para o disco, nos últimos dois anos. Guinga
regravou Senhorinha (antes ouvida por Leila Pinheiro e Mônica Salmaso) pois
foi peça que escreveu para as filhas, quando eram pequenas.

Entre maravilhas, o número de mais imediato impacto é o choro O Silêncio de
Iara, aquela que encantou Chico. Por letra e música, pela impecável e
apaixonada interpretação de Ana Luíza. A fim dos 56 minutos de música,
encantamento, resta ao ouvinte o silêncio reflexivo que provocam as obras de
arte maior. Resta-lhe a introspecção posterior às grandes emoções. (M.D.)

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