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Martiníadas

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: Fernando Toledo (fernandotoledo_at_hobeco.net)
Data: Qui 18 Set 2003 - 15:01:35 BRT

Enganam-se aqueles que vêem no sábio rábula de Ribeirão Preto apenas um neo-brega, alguém que, subitamente, tenha sido cooptado para as hostes chacrinistas por meio de uma decisão súbita, algo como um trauma da infância causado por uma audição de Odair José durante uma das sessões de banho turco ministradas por seu aio namíbio, Tonga.
Na verdade, as raízes ecoam de longe, como se atávicas lembranças fossem, ribombando por entre os corredores do tempo.
A origem do Clã dos Martins se perde nos séculos. No Brasil, sabe-se que foram bandeirantes, que adentravam s selvas ribeirinhas à busca de peles de onça-pintada, com as quais comfeccionavam tapetes que eram vendidos na Europa a preço de ouro, nas lojas do Tejo. Inclusive data, dessa época, sua relação com o Clã dos Abravanel, que viria a se tornar uma das mais promissoras parcerias do ramo. Inclusive, um de seus membros, Martins Pena, escreveria sua célebre peça "Pedro de Lara no Sábado de Aleluia" baseado em sua experiências à época.
Já estabelecidos no Novo Mundo, construíram um império. Consta mesmo que, na célebre viagem de Amundsen, quando competiu com Scott pela glória de conquistar a Antártida, um representante do Clã estaria presente, pesquisando in loco designs para suas criações, que viriam a adornar o topo de diversas geladeiras.
O jovem Draga, já trazendo no sangue suas inclinações deciopitinínicas, iniciou sua carreira estudando Direito e fazendo parte de diversas organizações clandestinas de Esquerda (demonstrando desta forma seu caráter paradoxal), como, por exemplo, a Setembro Negro, a Outtubro Vermelho e a Repolho Roxo, notória por causar envenenamentos respiratórios coletivos em vagões de metrô lotados. Inclusive, foram descobertos quando o DOPS rastreou uma grande aquisição de batata-doce e Luftal contrabandeada.
Hoje, já estabelecido na vida, recuperado das sessões de tortura a que os algozes da Ditadura o submeteram (conta ele que inclusive que havia um algoz muito simpático chamado Alfredão), Eduardo Martins dedica-se a sua coleção de artefatos raros, que inclui um legítimo pingüim de neón da dinastia Ming, tapetes de tigre siberiano albino e uma coleção de tampinhas de pinga Cavalinho.
E segue vivendo, satisfeito, passando seus dias de ócio a declamar poemas de Khalil Gibran e J. G. de Araújo Jorge.
Um abraço,
Fernando Toledo
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