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Re: Jacob e D. Ceça

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: iara teixeira (iarart_at_terra.com.br)
Data: Qui 18 Set 2003 - 07:20:58 BRT

Oi Roberta, adorei também!

Achei esta matéria no Caderno C on line da uol, é do Jornal do Comércio do Recife, de 01/10/2000.

Abraços
Iara

Os amigos das horas mais alegres

Em 1959, tendo como intermediário Alfredo Medeiros (violonista natural de Camaragibe e que morava na antiga capital federal), João Dias agendou uma ida com os companheiros para o Rio de Janeiro. Ceça, João, Zé do Carmo e esposa, Rossini e Canhoto entraram num Jeep Willys e enfrentaram cinco dias de estrada até chegar à casa de Jacob do Bandolim. A mulher de Rossini, Rita, foi a única a seguir de avião, pois havia se submetido a uma cirurgia.
ìFoi uma viagem inesquecívelî, lembra Dona Ceça. ìQuando chegamos no Rio, com pouco tempo Jacob soube da turma, convidou todo mundo e fizemos muitas reuniõesî. Chegando lá, foram surpreendidos por uma faixa com os dizeres: ìBem-vindos à Rua Monsenhor Júlio Maria, 117, Madalenaî. ìA casa dele (Jacob) era em Jacarepaguá. Chamou pessoas que conhecia. Conheci aquele célebre compositor (dá um tempo para lembrar)... Pixiguinha! E a Elizeth Cardoso também estava presenteî.
Uma foto da ocasião denota bem a admiração que Dona Ceça tinha por Jacob. Admiração que ela tem até hoje. ìJacob trabalhava na Justiça e ëdesmanchavaí o bandolim. Era muito sentimentalî, diz. Um dos convidados aos encontros em Jacarepaguá ? um homem de uma rádio paulista, cujo nome Dona Ceça não lembra ?, fez um convite para os músicos nordestinos irem a São Paulo. E eles foram.
De volta ao Recife, Dona Ceça seguiu a vida normal, de musicista amadora e dona de casa. Teve sete filhos. Após a morte do pai, em 1965, e com a transferência de João Dias, Dona Ceça foi morar em ëdefinitivoí no Rio de Janeiro. Lá, nasceu o filho caçula e ela virou avó de 13 netos.
Logo que chegou, a família Dias foi morar em casa no Méier. Os filhos não quiseram seguir a veia musical. Um deles, Francisco, canta um pouco; tanto quanto João Dias Martins Neto, que ìarranhaî o cavaquinho. Anos mais tarde, mudariam para o atual apartamento no Leblon.
Desde então, Dona Ceça tem tocado pouco o violão. ìÉ difícil, sem companhiaî. Hoje, viúva, ela tem vontade de voltar para o Recife. ìSinto muita saudadeî, diz. ìEu tenho a impressão que é por causa dos filhos e netos que tenho lá (no Recife e em Maceió)î.
Ainda assim, Dona Ceça conta que está sempre atenta ao movimento musical fluminense, sobretudo do choro. De vez em quando recebe convite do Trio Madeira e de outros amantes da boa música, e vai prestigiar. Muitas vezes, levando o violão.

O QUE ELES FALAM

ìNós fizemos muita farra. Ela me acompanhava no violãoî (Rossini Ferreira, bandolinista)

ìA primeira vez que tive o prazer de conhecê-los (Conceição e João Dias) foi na casa de Jacob (do Bandolim). Ainda hoje em dia, nós tocamos juntos. Ela é uma criatura muito boaî (César Faria, violonista do conjunto Época de Ouro e pai de Paulinho da Viola)

ìConheci Dona Ceça quando um grupo liderado pelo marido dela chegou ao Rio, em 1959. Eu tinha uns 16 anos. Logo depois, o Jacob fez uma reunião na casa (onde o grupo ficou hospedado) e eu estava lá. Eu fiquei do lado de fora, pois havia muita gente. Ela era uma pessoa de muito brilho. De vez em quando a encontro nos showsî. (Paulinho da Viola, cantor e instrumentista)

ìConheci Dona Ceça em 1960, quando existiam os saraus. Canhoto me levou à casa de Mestre Sérgio ? todos os sábados ele fazia reuniões, na Rua das Águas Verdes. Numa tarde, Canhoto me levou lá. Foi ela quem me passou as músicas de Zé do Carmoî (Henrique Annes, violonista)

Roberta Valente wrote:

> Estou relendo o livro Jacob do Bandolim, de Ermelinda A. Paz (Funarte, RJ, 1997), e fiquei muito curiosa a respeito de uma violonista citada pelo bandolinista em seus escritos: D. Ceça, considerada "a melhor violonista mulher de Pernambuco", esposa de João Dias (não tem nada a ver com o cantor campineiro). Alguém tem notícia dela? Será que gravou? Achei superbonito o que ele escreveu pro marido dela numa carta (de 15/12/58):
>
> "Tu, coração empedernido, na certa almoças e jantas em casa. No teu lugar, eu comeria na rua, num frege qualquer, mas d. Ceça, esposa minha, não ia para o fogão de maneira alguma. Tinha que acordar de violão em punho, ir ao banho de violão sob o braço, almoçar tocando (eu lhe daria comida à boca) e entrar pela madrugada adentro tocando, tocando sempre. Eu, esquecia-me de dizer, cuidaria das crianças (...) Entre uma ´Olívia´ e um prato de comida, só tu, João, carrasco, poderias lembrar do pandulho em detrimento da arte. Será que a consciência não te dói?"
>
> Adorei!
> abs,
> Roberta
>
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