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RES: RES: Re: Gosto e Poesia

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: Maurício Érnica (mauernica_at_ajato.com.br)
Data: Seg 15 Set 2003 - 21:18:41 BRT

Mário, você não reconhece que o poema "Fanatismo", da Florbela Espanca
virou uma letra de música redondinha com o Fagner?

Um abraço,
Mauricio

-----Mensagem original-----
De: tribuna-bounces@samba-choro.com.br
[mailto:tribuna-bounces@samba-choro.com.br] Em nome de
marioatleticomineiro
Enviada em: segunda-feira, 15 de setembro de 2003 21:05
Para: mauernica@ajato.com.br
Cc: tribuna@samba-choro.com.br
Assunto: Re:RES: [S-C] Re: Gosto e Poesia

Caro maurício,

não é bem assim não. Um poema musicado não vira uma boa
letra, de jeito nenhum, ele é sempre um poema com melodia. E
letra é letra. O que confunde as pessoas é o fato das letras
serem escritas em versos como a poesia. A diferença está no
fato que os versos de uma poesia têm um ritmo natural, até
mesmo o verso livre, modernista.
Há letras com alguns versos poéticos, mas são sempre letras
pois não mantêm esse ritmo que há na poesia.
As letras, como já havia comentado antes, são prosas em forma
de verso. Muitas parecem poesia, mas têm feição de prosa.

Vou dar um exemplo disso:

"Tire o seu sorriso do caminho
que eu quero passar com a minha dor.
hoje pra você eu sou espinho,
espinho não machuca a flor."

Estes quatro lindos versos não têm ritmo de poesia, são
letra, portanto prosa.

"Eu só errei quendo juntei minh'alma a sua
o sol não pode viver perto da lua"

Já estes dois são poéticos. Principalmente o segundo.

"É no espelho que eu vejo as minhas mágoas,..."

Este também é poético.

"...a minha dor, e os meus olhos rasos d'água.
Eu na sua vida já fui uma flor.
Hoje sou espinho em seu amor."

Já estes não têm ritmo de poesia.

O fato de ter versos poéticos não significa ser uma poesia no
seu conjunto.

Letra é letra e poesia é poesia, sempre.

Forte abraço, Mário.

> Caras e caros,
>
> Acompanhei de longe, mas com interesse, a discussão sobre le
tra de
> música e
> poesia. Gostaria de parpitá também...
>
> A letra de música ganha sentido plenamente quando é cantada.
 Caso
> contrário, é como a borboleta na parede, conforme a imagem f
eliz que foi
> usada aqui.
>
> Se é assim, um poema, quando cantado, não deixa de ser poema
, é claro,
> mas passa a contar com os elementos propriamente musicais pa
ra fazer
> sentido. A habilidade especial do letrista, que distingue es
sa atividade
> do fazer poesia, é escrever tendo em vista o canto. De modo
> complementar, musicar um texto (poema, letra ou até um trech
o em prosa)
> é ter o canto em mente, também.
>
> O que seria desses versos logo abaixo sem música?
>
> "vamos chamar o vento
> ...
> vamos chamar o vento
> ..."
>
> " O mar, quando quebra na praia, é bonito, é bonito"
>
> Peguei esses dois pedacinhos de Caymmi de propósito. Cantado
s com aquele
> vozeirão e naquele arranjo, eles ganham um sentido particula
r, um tom
> solene, respeitoso, de admiração e de congraçamento com a na
tureza que
> de modo algum existe na escrita.
>
> No outro lado, há textos poéticos que dificilmente poderiam
ser
> musicados, como Tabacaria, conforme já foi lembrado.
>
> Essas lembranças de Caymmi e Pessoa são exemplos extremos, é
 verdade.
> Entre eles há uma nebulosa que já foi analisada. Nela, há al
gumas
> propriedades textuais que permitem a um poema virar uma boa
letra de
> música e a uma letra de música virar um bom poema. Não falta
m exemplos
> para isso na música popular e na canção erudita.
>
> Assim, imagino eu que a distinção entre poesia e letra não e
stá tanto no
> texto em si, isoladamente. Mas sim, e sobretudo, na maneira
como ele
> existe. Por isso, um poema musicado está na condição de letr
a de música
> e uma letra escrita na condição de poema. Se um texto escrit
o
> originalmente para ser lido ou declamado pode virar boa letr
a - e
> vice-versa - é outra história.
>
> Abraços,
> Mauricio
>
> PS: duas lembranças soltas...
>
> Se não me engano, o Chico falou que escreve letra de música
e não poesia
> tendo em vista a natureza particular da letra de música. (se
 minha
> memória não estiver me traindo, há algo sobre isso no livro
"Chico
> Buarque letra e música", da Cia das Letras).
> Por mais que algumas músicas dele possam viver bem sem a mús
ica e
> assumir a condição de poema, elas foram escritas para ser ca
ntadas. É na
> relação com a música, portanto, que elas podem ganhar sentid
o
> plenamente.
>
> E o que dizer de algumas letras do Itamar Assumpção. Sampa M
idnight, por
> exemplo, parece mais um pequeno conto do que um poema. Mas é
 letra de
> música, faz sentido plenamente quando cantada.
>
>
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