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RES: Re: Gosto e Poesia, Catavento e Girassol (Parte 2)

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: Fabio Fernandes Padilha (fabio.padilha_at_datasul.com.br)
Data: Seg 08 Set 2003 - 15:44:48 BRT

Estamos num período em que a música é tratada como mercadoria.
Por exemplo Um Daniel tem o mesmo preço final do que o Paulinho. Apesar do custo de produção ser bem menor.
Um disco do Paulinho envolve um arranjo mais trabalhado,um cuidado e um tempo maior na elaboração de repertório entre outros fatores que transformam a obra num "produto" feito a mão e não em uma coisa produzida em série.
O problema é que diferentemente do Aparelho de SOM que toca o CD e tem valor diferenciado pela qualidade de seus componentes. As mídias produzidas valem praticamente a mesma coisa.
Portanto pela ótica financeira é muito mais vantajoso promover e vender Daniel.
E como a ótica financeira ocupa praticamente todos os espaços.
Sobreviver fora de suas regras é quase impossível pra quem esta começando
agora. Isso desloca letristas competentes para outras áreas de atuação.
Ou pior pode fazer com que letristas competentes façam coisas banais pra poder sobreviver.
Tipo aquele negócio de vender parceria muito comum na época de Ouro dos letristas de samba.

Talvez a única forma de sair desse beco. É resistir aos "preconceitos" e focar as atenções para esses "movimentos" de resitencia que estão surgindo . Tipo Morro das Pedras, Cupinzeiro, Samba da Vela.
Já que como dizem seus integrantes o o único compromisso esta no respeito a música.

Quanto a qualidade dos instrumentistas, eu percebo que existe hoje muitos
músicos técnicos. Mas poucas obras "primas".
Essa obsessão pela jazzificação da nossam música .
esta acabando com o nosso grande mérito a equivalencia qualitativa entre melodia e harmonia.
Hoje tem muita matemática e pouca arte se é que me entendem.

Mas ainda estamos bem .
Imaginem o que os europeus andam pensando da sua música. Eles que num passado tiveram eruditos tão populares quanto Mozart hoje estão sendo dominados por tudo quanto é tipo de ruídos eletrônicos.

valeu
fabio padilha(gangaz)

-----Mensagem original-----
De: tribuna-bounces@samba-choro.com.br
[mailto:tribuna-bounces@samba-choro.com.br]Em nome de Maurício Érnica
Enviada em: domingo, 7 de setembro de 2003 13:35
Para: tribuna@samba-choro.com.br
.

Por quê?

Tenho cá pra mim que um bom letrista não se forma rapidamente, é preciso
continuidade de trabalho, experiência acumulada, obras iniciais menos
elaboradas. Quando digo "elaboradas" não falo do despejo de erudição ou
de construções pernósticas, mas nas capacidades de expressão e de
síntese, que são mais raras.

É aí, penso eu, que há o nó da questão. Faltam meios de circulação de
canções para além da grande mídia como há para instrumentistas e
compositores de "músicas". A falta desses meios atrapalha a formação de
letristas, que requer tempo e volume de produção.

Ah, tudo isso para além do sistema educacional, que, diga-se, jamais foi
maravilhoso entre nós apesar dos ótimos letristas que sempre houve.

Abraços,
Mauricio

 

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