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Songbook João Bosco

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: Alberto R. Cavalcanti (arcav_at_brturbo.com)
Data: Seg 08 Set 2003 - 00:22:23 BRT

Um ourives de jóias raras de ouvir

Antonio Carlos Miguel

Estas 46 canções de João Bosco, reunidas em três CDs, confirmam duas coisas.
Em primeiro lugar, se é que alguém tinha dúvida, a riqueza de sua obra,
fundamental mesmo depois do fim da parceria com Aldir Blanc. E a comprovação
de que a série "Songbooks", idealizada e produzida por Almir Chediak,
encontrara o formato perfeito: diferentes intérpretes, sem ficar presos às
versões originais, fiéis à essência e às intenções do autor.

As canções aqui selecionadas levantam um melhor da extensa obra de Bosco e
permitem curiosas associações. É interessante ver como Gilberto Gil, uma das
influências do Bosco inicial, confirma isso ao reforçar o sotaque afro-xé de
"Odilê, odilá". O mesmo paralelo pode ser feito nas gravações de outros
cantores e compositores da geração anterior à de Bosco, a da safra anos 60:
Milton Nascimento em "Caça à raposa"; Edu Lobo em "Bala com bala" (que
remete a canções mais sincopadas de Edu, na linha de um "Vento bravo"); e
Dori Caymmi em "Agnus sei". Se as referências são nítidas, essas quatro
também trazem a assinatura inconfundível da dupla Bosco e Blanc, perfeito
encontro de musicalidade e poesia à flor da pele. O que os dois criaram no
terreno do samba, por exemplo, é admirável, como provam nos burilados, e
irresistivelmente populares, "O bêbado e a equilibrista" (no songbook, na
voz, entre bêbada e bem equilibrada, do letrista) e "Nação" (esta, com o
próprio Bosco no violão, acompanhando Simone, pouco difere na forma mas não
se equipara à definitiva gravação de Clara Nunes).

As canções pós-Blanc mantêm o alto nível, sejam com letras do próprio Bosco
(a pérola "Jade", "coisa rara de ver", aqui na voz de Pedro Mariano), ou de
parceiros diversos: Abel Silva ("Desenho de giz", cantada por Djavan),
Capinam ("Papel machê", por uma hesitante Paula Toller), o filho, Francisco
Bosco ("Mama palavra", que Arnaldo Antunes vestiu como luva) ou Antonio
Cicero e Waly Salomão ("Sábios costumam mentir", com Jussara). Todas essas,
e muitas outras, jóias raras de ouvir, de um ourives da canção brasileira.

[O Globo, 7/9/2003]

http://oglobo.globo.com/jornal/suplementos/segundocaderno/110003538.asp

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