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Re: Gil pirou?

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares_at_hotmail.com)
Data: Sex 05 Set 2003 - 13:35:15 BRT

Oi Gangaz, oi César:

A escolha do nome do Netinho, embora não seja do meu agrado, com certeza não
foi uma escolha aleatória - lembram do caso da Kelly Key na campanha de
prevenção à AIDS no carnava!? -, porém os locais escolhidos para a
instalação das primeiras casas não me parecem os mais adequados, embora a
Rocinha seja a maior favela do Rio de Janeiro não é a mais problemática,
aquela comunidade tem acesso à muitas coisas que a grande maioria não tem -
vejam matéria de hoje do Jornal Valor Econômico -. O que mais tem hoje na
Rocinha é ONG trabalhando enquanto outras comunidades - de subúrbio na
maioria dos casos -, se encontram em total abandono -. Casas desse tipo
deveriam ser instaladas preferencialmente nas periferias.

Beijins. Sonia Palhares (BsB-DF)

Matéria extraída do Jornal Valor Econômico de 05.09.2003 (6ª feira)

"Sociedade Pesquisa mostra que, além da triste realidade do tráfico, da
miséria e da violência, há mais organização e solidariedade nas favelas do
que se pensa.

A voz do morro

Por Cristina R. Durán

Foto: Marco Antonio Rezende/Folha Imagem

Favela da Rocinha: aglomerado habitacional que abriga uma faixa da classe
média em sua base e mantém bancos, Mc Donald's, imobiliárias, lojas diversas
e badalação

É recorrente associar a palavra favela a tráfico de drogas, bandidagem,
miséria, promiscuidade. Mas naqueles gigantescos aglomerados de barracos,
casas de alvenaria, fios elétricos perigosamente suspensos no ar e becos que
formam um quebra-cabeças, também pulula outro tipo de vida. As pessoas se
reúnem em comunidades, se associam a ONGs e abrem as portas para agentes do
governo em busca de uma vida mais digna e melhorias ao seu redor. Elas se
solidarizam, procuram se organizar, criam áreas de comércio. formam grupos
de dança, alfabetização, grêmios culturais. É uma realidade totalmente
diversa da que se vivia nos morros até os anos de 1980.

Microcosmos das grandes cidades, no meio das quais elas forçam o seu espaço,
as favelas também se dividem em classes sociais, agremiações, instituições.
É um mundo à parte, mas que reflete a estrutura dos centros urbanos
asfaltados, os quais os favelados apenas freqüentam para lhes oferecer o seu
trabalho braçal e de baixa remuneração.

Curiosidade turística, em alguns casos, e matéria-prima para filmes,
trabalhos acadêmicos, romances, músicas e pinturas, a vida na favela costuma
ser descrita por quem a observa de fora - da "cidade do asfalto", como é
chamada pelos habitantes dos morros. Eles reclamam disso porque suas vozes,
identidades e rostos verdadeiros raramente aparecem nestes trabalhos.

Dulce Chaves Pandolfi e Mario Grynszpan, pesquisadores do Centro de Pesquisa
e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc/FGV), reverteram a
situação e deram voz direta ao testemunho desta população sobre a sua
própria vida. Em "A Favela Fala", livro organizado por eles a ser lançado
dia 11, pela editora FGV (360 págs., R$ 49) na Livraria do Museu da
República, no Rio, 12 líderes comunitários das favelas cariocas Rocinha,
Maré, Morro da Formiga e Santa Marta retratam o cotidiano de seus moradores.

Mais do que isso, a obra desfaz a idéia de que todas as favelas são iguais.
Os depoimentos de seus líderes revelam grandes diferenças internas e
externas entre elas, bem como as suas aflições. Retrata, ainda, a
multiplicidade de iniciativas, a intensa vida social e política nas
comunidades e a importância das ONGs (muitas vezes, em parceria com poder
público) no apoio aos seus moradores.

De acordo com os pesquisadores, o intercâmbio de idéias entre as ONGs e as
associações de moradores de cada comunidade resultou numa experiência
política para estes líderes. Também lhes abriu a oportunidade de discutir
projetos e reinvindicar serviços básicos como o abastecimento de água, o
fornecimento de luz, a construção de escolas e de esgotos e o asfaltamento
de ruas.

É um mundo, enfim, que se estabeleceu e não tem mais como recuar. Começou
aleatoriamente, formado sobretudo por imigrantes. Acabou criando
organizações habitacionais muito particulares e de personalidade e
identidade muito próprias.

A militância dos líderes comunitários por uma vida mais digna começou nos
anos 60. A luta deles era basicamente para a implantação de esgoto, luz e
água; os pontos mais básicos de infra-estrutura. Mesmo assim, até os anos
70, de acordo com os organizadores do livro, o poder público apenas
intervinha para remover as favelas.

Segundo os depoimentos, o governo de Leonel Brizola no Rio (1983/1986) foi
um marco na mudança de postura do poder público dentro das favelas. Seus
habitantes consideram que a partir de então passaram a ser tratados de forma
diferenciada e um novo perfil de comunidades começou a surgir.

"De lá para cá, a remoção virou passado e muitas melhorias foram feitas, mas
a situação deles ainda é muito precária", diz Dulce Pandolfi ao Valor. "Os
principais serviços de infra-estrutura, por exemplo, atingem apenas 20% da
favela, não chegam à parte mais alta."

São realidades desconcertantes e muito peculiares. A favela da Rocinha, a
maior das pesquisadas (a sua população é calculada em mais de 100 mil
habitantes, embora os dados não sejam precisos devido às dificuldades de
acesso às partes mais altas do morro), é um dos exemplos mais bem-acabados
da favela vista como cidade dentro da cidade. Para se ter uma idéia, a parte
inferior do conglomerado é um festival de comércio.

"É uma faixa de classe média dentro da favela em que há lojas, Bancos, Mc
Donald's, imobiliárias, lojas de móveis, persianas, têm de tudo lá", conta a
pesquisadora. E ainda existe uma rua chamada Via Ápia, que é a do badalo.
Tudo ali fica aberto 24h por dia.

Mas, de acordo com Dulce, logo acima desta parte intensa e próspera da
Rocinha surgem os becos em estado de calamidade pública. "São valas negras,
casas sem a menor condição de higiene, que não têm acesso a nada", explica
ela. Desencadeia-se, assim, uma clara competição de classes dentro da
favela, uma disputa entre os de baixo e os de cima e em torno das suas
condições de vida e do acesso das instituições que estão lá dentro.

O mundo interior do morro é totalmente diversificado. Abriga instituições
culturais, tem televisão a cabo, grupos de dança, de teatro, de
alfabetização e até vila olímpica (na favela da Maré). "Há uma grande
variedade de trabalhos, uns feitos pela própria comunidade, outros em
parcerias com ONGs externas", explica Dulce.

A sua pesquisa com Mário Gryzspan começou para entender o funcionamento
entre estas organizações externas e as comunidades locais. Entre 2000 e
2001, com apoio das fundações Ford, Konrad Adenauer, e de Amparo à Pesquisa
do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), além do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), eles subiram muitas vezes
aqueles morros para entrevistar os seus habitantes. Em outras, os receberam
nas instalações do Cpdoc.

Os depoimentos foram tão ricos que a pesquisa "Um Estudo dos Efeitos das
Ações de Organizações Governamentais e Não-Governamentais em Comunidades de
Baixa Renda" se desmembrou em "A Favela Fala", que entrelaça as histórias de
vida de seus habitantes, muitos imigrantes em busca de melhores
oportunidades (leia trecho ao lado), e sua luta pela comunidade.

Com cerca 8 mil habitantes e construída em um morro muito íngreme, a
Formiga, por exemplo, organizou um serviço de kombis para levar a população
que habita no alto do morro. Antes de adotarem esta solução, os moradores
formavam uma corrente de solidariedade em que uns ajudavam a carregar o
material para os outros construírem as suas casas, transportar as compras ou
trasladar doentes. São enfim, histórias de pessoas e organizações distintas
das que costumamos ouvir, sobre o tráfico de drogas e violência."

>Eu particularmente não conheço, mas já ouvi falar muito bem do trabalho que
>Netinho fez lá na Cohab.
>Inclusive trabalhos de iniciação musical, dança, cursos profissionalizantes
>etc...
>
>A única coisa que eu acho que deveria ser modificada são as instalações das
>primeiras casas.
>Tem locais nesse país muito mais carentes.
>
>valeu
>fabio padilha(gangaz)
>
>-----Mensagem original-----
>De: tribuna-bounces@samba-choro.com.br
>[mailto:tribuna-bounces@samba-choro.com.br]Em nome de Cesar Oliveira
>Enviada em: sexta-feira, 5 de setembro de 2003 09:12
>Para: SC Tribuna do Samba-e-Choro
>Assunto: [S-C] Gil pirou?
>
>
>Sambistas & Chorões:
>Deu no JB que "Gilberto Gil convidou e o cantor Netinho aceitou ser
>padrinho
>de um projeto de espalhar casas de cultura pelo país. A primeira será em
>Brasília, a segunda no Rio, na Favela da Rocinha, e a terceira, a pedido de
>Netinho, em Carapicuíba, no interior de São Paulo". Gil pirou? Netinho
>ligado a cultura?!...
>Saudações de Vila Isabel,
>Cesar Oliveira

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