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Re: Nicolas Krassic e o choro

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares_at_hotmail.com)
Data: Sex 05 Set 2003 - 02:40:24 BRT

Oi Filipe, oi Nicolas!

Nossa!!! Isso é uma verdadeira declaração de amor, hein!!!:-) Porém, se é o
meu camarada Luis Filipe de Lima que está dizendo só posso confirmar e
assinar embaixo. Tive oportunidade de ver o Nicolas Krassic tocar aqui em
Brasília com o Yamandú Costa no Clube do Choro e literalmente "babar",
escrevi sobre isso aqui na TS&C, à época. Babei e me emocionei de novo ao
vê-lo no show "Lupicínio" com a Mariana de Moraes e o Zé Renato anteontem no
CCBB-DF. A música popular brasileira só tem a agradecer. Adorei nossa
farrinha no Bar Brasília, voltem logo!:-)

Beijins. Sonia Palhares (BsB-DF)

Graaaaande Nicolas!

Bom que você apareceu aqui por estas quebradas.

Sou suspeito pra falar de você, porque sou ao mesmo tempo seu amigo, seu
colega e seu fã.

Mas, enfim, também venho de vez em quando dar uma sacada nas discussões da
Tribuna, tanto quanto o tempo vem me permitindo nos últimos meses. E vi o
papo que tem rolado em torno do seu trabalho. Daí, achei importante
escrever, trazendo pra discussão o depoimento de alguém que te conhece mais
de perto.

Pra lá das discussões "choro tradicional" versus "choro moderno" ou "choro é
um gênero musical" versus "choro é uma maneira de tocar", o importante pra
mim é que você reúne qualidades que são raras de se encontrar em um músico
só: técnica, virtuosismo, inventiva, emoção, a capacidade de tocar ouvindo
os outros músicos e - fundamental pra música que a gente faz nas rodas de
samba e choro - humor.

E mais: penso que você é um músico de sotaque brasileiríssimo - tanto é que
veio parar aqui no meio da gente, mora no Brasil há menos de dois anos e
fala português melhor que conterrâneos seus que estão aqui há décadas, come
o cabrito com arroz de brócolis do Capela às três da madrugada, casou com
uma carioca que é professora de dança de salão, já se acostumou com os
atrasos nos ensaios e com o "semana que vem eu te ligo" dos cariocas, está
com um repertório cada vez maior de boa música brasileira, vem sendo
reconhecido cada vez mais por músicos da pesada (Carlos Malta, Paulo Moura,
Maurício Carrilho, Márcio Bahia, Arismar do Espírito Santo, Zé Carlos
Bigorna, Henrique Cazes, Marco Pereira, os paulistas Zé Barbeiro e Miltinho
de Mori, só pra ficar na "velha guarda"), e está perfeitamente integrado com
a nova geração de músicos de "choro" (com o perdão dos puristas), Yamandu,
Hamilton de Hollanda, Gabriel Gross, Gabriel Improta, Zé Paulo Becker,
Rogério Caetano, Daniel Santiago, o pessoal do Tira Poeira, do Abraçando
Jacaré, do Rabo de Lagartixa. Sem falar do pessoal do samba: Beth Carvalho,
Tereza Cristina, Nilze Carvalho.

Tenho tocado pelos botequins brasileiros há coisa de quinze anos, e já
acompanhei em canjas muitos músicos europeus, norte-americanos,
sul-americanos, japoneses, todos tocando música brasileira. Alguns eram de
fato brilhantes (lembro do Jeff, um trombonista de Nova Iorque que nunca
mais pintou por aqui), outros ficavam só na tentativa.

Você não, Nicolas, você conseguiu mais do que "tocar bem" música brasileira.
Você conseguiu "pensar" música brasileira, mesmo que ainda tenha uma
infinidade de coisas a aprender e conhecer por aqui. Você conseguiu virar
"cúmplice" de muitos instrumentistas brasileiros, sendo exatamente quem é,
um violinista francês que estudou anos a fio num conservatório com uma
professora chatíssima e exigente, que foi discípulo do pirotécnico Didier
Lockwood, que tocou música turca, que começou a ouvir e tocar música
brasileira na França. Se virando assim desse jeito, fico até imaginando se
você não foi brasileiro em outra encadernação.

Claro, você não precisa de atestado nenhum de brasilidade, muito menos dos
meus elogios rasgados. Nem que alguém tente convencer os outros de que você
é bom, porque em música - graças aos céus, aliás - cada ouvinte é senhor do
seu próprio juízo. Além disso, é aquele lugar-comum, não se pode agradar a
todos.

Só me permito discordar de você em uma coisa.

No meu jeito de entender o choro - uma "maneira de tocar" viva, dinâmica e
antropofágica (à maneira dos modernistas paulistas) -, considero você um
legítimo chorão. Basta ouvir Pixinguinha, Garoto, Radamés, K-Ximbinho,
Severino Araújo e seus choros de gafieira pra se perceber isso.

Acho até que você é muito mais chorão do que suspeita. Lógico, não será
jamais um músico de choro tradicional, entendido como um gênero musical
cristalizado, embora riquíssimo. De fato, suas "articulações frasais" e seu
"padrão melódico-rítmico de improvisação" não são decalcadas no que se fazia
há quase um século e - felizmente - continua a se reproduzir hoje por muita
gente boa.

A questão é que o choro pode ser entendido para muito além das fronteiras
estritas de um gênero musical - o que é assunto pra muitos chopes. E aí,
Nicolas, tenha certeza: você é um chorão da melhor qualidade.

Sucesso sempre.

Salut!,
Filipe

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