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Re: Re: Re: Bolerento? era Zé da Velha etc.

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: Everaldo Silva (everaldo.fersil_at_uol.com.br)
Data: Qui 04 Set 2003 - 23:03:46 BRT

Waldemar falando sobre a produção atual de Aldir Blanc:

"Aldir Blanc é assim, trabalha com imagens poéticas fortes, jogadas (,)
incisivas, desvinculadas umas das outras e que acabam resultando em uma
poesia musical, mas resultar em poesia musical é mero acaso, quem acha que
aquilo tem
sentido é por que acaba pessoalmente conferindo sentido onde não há, música
de mero acaso....."

Daniel Brazil dizendo que Catavento e Girassol é antigo demais (1996) contém
imagens grosseiras:

"(...) não podia enviar algo mais recente? Catavento e Girassol
é de 96, parece...
E, cá entre nós, tem umas imagens bem grosseiras no meio. Você imagina um
Chico, um Cartola ou um Paulinho escrevendo aquilo? Se fosse um zé-mané
qualquer, o infeliz seria classificado como "de mau gosto".
Um samba que diz "Um torce pra Mia Farrow,
o outro é Woody Allen" tá precisando de algo mais brasileiro, concorda?
Ficaria muito mais bacana se um torcesse pra Elza, e outro pro Garrincha, ou
(se é pra falar de briga) um pro Herivelto e outro pra Dalva de Oliveira...
Manda outro samba, este não justificou!"

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Eu:

Que o trabalho atual do Aldir é diferente da produção com João Bosco não há
dúvida. Diferente; mas acho precipitado dizer que é superior ou inferior ao
que já foi feito. Não me parece, entretanto, que as "imagens poéticas
fortes, jogadas..." estejam destituídas de conexão. A sucessão de imagens, o
jogo de oposições, verossímeis ou não, substituem o espaço do argumento
pausado, privilegiando sensações. Resultado: a afinidade ou a repulsa do
ouvinte dependerá do seu grau de identificação com o efeito produzido. É
claro que, aí, corremos o risco de ficar na lamentação do gosto de uns e de
outros. Paciência! Um exemplo disso é o Orassamba (2001), também de Guinga
com letra do Aldir:

Tempestarde
chuvabismo
relampeado azulejei com a luz
além-rebentação
confessei: o mar é o meu pecado
eu errei, quis ser rei
soberbei.....
Orassamba
acreadeço
pela esfoladura em minhas mãos
na palma em concha o anjo
ressurrei
aluciassassinado

A sereia na rocha
me avuisou mas eu soberbei
o fanal com a tocha
me avisou mas eu recomecei

Orassamba
não perdoe
esse mergulhorgulho, pescador
que de uma outra vez
com São Pedro
eu ando sobre as águas
Esse anzol que jogamos
onde há peixe nenhum
o espinhaço sempre em riste
e esse clarão na crista, ah, ah, ah
o universo na caçamba
é do pescador e do letrista de samba

Abraço,
Everaldo

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