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Camêau é da academia brasileira de música. conferiu?

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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pl_PL: Newton Motta (newton.motta_at_ig.com.br)
Data: sáb 25 jan 2003 - 16:15:21 EDT

as informações são tiradas do livro Introdução ao estudo da música Indígena Brasileira de Elza Camêu que faz parte da academia brasileira de música,
o livro começou com os estudos de Roquete Pinto que também era músico e nos anos 30 colheu dezenas e dezenas de amostras de melodia aborígene que constam no livro, todos com música na partitura.

Em 1584 De Fernão Cardim a respeito da prática musical aborígene. relata que os aborígenes, bailam cantando, com ordem e graça, são muito estimado os cantores, tanto homens, quanto mulheres, são tão estimados os cantores que se um inimigo é feito prisioneiro e É CANTOR E INVENTOR DE TROVAS é respeitado e não são comidos ( antropofagia), AINDA INFORMA QUE DESDE PEQUENINOS OS PAIS ENSINAM PEQUENOS A BAILAR E CANTAR OS SEU FOLGUEDOS.

Gabriel Soares em 1587, os Tupinambá eram grandes músicos, relata que os músicos fazem mote de improviso a sua volta acabando no consoante do mote; um só diz a cantiga e os outros respondem com o fim do mote, os quais cantam e bailam juntamente em uma roda em a qual um tange UNS TAMBORES EM QUE NÃO DOBRAM AS PANCADAS(MARCAÇÃO DOS TEMPOS OU COMPASSOS).

Da mesma tribo citou o tambor; as trombetas, buzinas ..

Em relação aos Amoipira tambores feitos de agua;um pau que cavam por dentro com fogo tanto até que ficam mui delgados, os quais toam muito bem.

Em 1767 o jesuíta João Daniel no geral os índios sic gostam de festas, danças e bailes e possuem para isso suas flautas e tambores de pau oco e ajustado com fogo.

Das festas e danças João Daniel a primeira festa é dos tambores e gaitas, porque além de flautas acompanhada de tamboril, tem muitos outros tipos de tambores com o qual celebram suas festas; e o ofício de tocar tambor é tão nobre que só os mais velhos, o fazem assentados tocando com ambas as mãos em lugar de vaquetas.

Em 1844 o Cônego Silva Guimarães, os cânticos de amor entre os aborígenes

Em 1908 Fritz Krauser dos Carajá e Kayapó: inventam cantos próprios, transmitindo-os aos descendentes.
Usam o reco-reco e o chocalho e os cantos da dança também são passados de pai para filho.

Em 1909 Koch do tambor de pele dupla, de macaco ou veado.

Em 1914 Manizer o canto falado,e o falsete dos Bororós.

Froes Abreu os Guajajara tocando tangos e maxixes, ao som de entre outros o tambor de couro de veado, em 1927.
Em 1928, Mário Mello os Carijó sabiam identificar suas tradições e o que era introduzido pelo branco, e não admitia que outros conhecessem a sua música tradicional, enquanto já dançavam o côco.

R. Karsten o uso do tambor utilizado nesses rituais era ou é comum aos grupos,chaquenhas, para conjurar espíritos malignos.
Patsy Adams, uma espécie de música entre os índios que usando certas formulas rítmicas imita o vôo do abutre, os grunhidos do anuje e ainda difundir terror,
Quanto ao ritmo Luiz Heitor base da música indígena, e a maior parte das manifestações musicais prendem-se mais as danças que eram compostas de formulas repetidas, e termina dizendo que o ritmo indígena não poderia ser diferente do nosso (sic).
Os cantos de trabalho se originam no próprio cadenciar dos movimentos regulares específicos de cada tarefa, que disciplina e atenua a fadiga do trabalho.

Como desmontaram a tradição cultural aborígene:

O trabalho de infiltração e desmembramento foi hábil e inteligente, era dirigido as crianças e dando-lhe nova orientação levantando barreira entre duas gerações, forçando o rompimento com as tradições do grupo, tipo, língua, costumes..

Voltando aos Tambores

Um dos mais importantes instrumentos sonoros das culturas indígenas do Brasil por se relacionar com o lado prático, musical e religioso, desde a descoberta foram atestada a sua utilização pela população nativa;
Como originais podemos apontar os tambores de madeira, tambor de tábua, tambor de tronco escavado, feito e moldados a fogo.
Bastante conhecido é o tambor de água; que é um pequeno tambor usado na festa da Moça Nova.

Tambor catuquinaru:
 É instrumento de sinalização, o tambor em si é um tronco de palmeira resistente, colocado verticalmente no solo e escavado de maneiras a abrir câmaras, nas quais são introduzidos vários materiais, como borracha, madeira, couro, mica em pó, fragmentos de ossos, areia fina, são seis as câmaras, em posição horizontal, de três em três, separadas por um espaço vazio, vertical. O instrumento é embutido numa escavação feita no chão. Aproximadamente até a metade de sua altura. A parte superior do tambor é coberta com borracha resistente; o mesmo fazem com os dois lados da fossa. Nesta também há de lascas de madeira, couro cru e resina de várias árvores. A fossa é fechada com areia grossa.
Percutem-se com uma maça cuja parte de contato, além de ser mais volumosa, ainda é coberta por camadas de borracha de couro.

Tambor de fenda:
É feito de uma tora de madeira avantajada(1m 42 X 1m23 ) escavado por meio de pedras incandescentes.

Tambor de carapaça:
É feito da carapaça da tartaruga, é instrumento cerimonial, e faz parte da festa da Moça Nova.

Tambor de cerâmica:
Entre eles o tambor d´agua, que consiste num vaso de barro tendo a abertura fechada com couro, Izikowitz considera o tambor d´agua como um velho elemento de civilização, talvez representando um dos mais antigos tambores do mundo

Tambor de pele:
O instrumento dessa espécie é confeccionado com um cilindro de madeira leve ou mesmo pesada, curto ou afunilado, geralmente fechado de um lado só; a fixação dos materiais é feita por compressão, por meio de cipós ou mediante bastonetes.; fazem soar batendo com uma só baqueta, os velhos que assentados batucam com as mãos

Se a maioria dos tambores de pele apresenta a fixação por meio de compressão a tribo tembé, do rio capim, usa o torno, mesma técnica usada por tribos africanas, o que parece indicar influência negra, e a influência existe, no entanto, o elemento estranho parece indicar mais interinfluência, pois se do negro o índio assimilou entre outras a confecção do tambor no caso citado, do índio a comunidade negras localizadas na área aborígene adotou todo um sistema de vida, como observou Daycy Ribeiro.

Em 1949 Izikowitz, considerando o instrumento desse tipo, opinou que, embora acusando semelhança acentuada com o tambor africano, não seria impossível que fossem peças originais, representando um derivado ou um tipo de substituição do tambor d´agua, nas regiões em que este não existia
Se certos tambores continuam como instrumento de comunicação, como os de fenda, os demais ficaram ligados aos cultos, como o de carapaça de tartaruga.
O tambor no geral tem função de acompanhar o canto e marcar a cadência das danças.

Ainda a respeito dos tambores feitos de tora de madeira, tanto existente nas tribos brasileiras, como entre populações da África e Oceania. a particularidade interessante é que há tambores de fenda semelhantes aos dos Miranha em uso pelas populações negra, indianas e oceânicas
O tambor d água dos velhos Guaikuru, que, alias é encontrado nas duas Américas, assim como o de cerâmica, são vistos igualmente na África. O tambor de vaso, como o dos Pakaa-Nova, ainda em uso na Europa até o século XIV, existe nos países árabes ; é o darabukka.

baseado no que li do livro da Elza Camêau da academia brasileira de música e no artigo do salema que está nos arquivos da cidade, resolvi fazer um samba enredo, a respeito da origem tupi-guarani do samba, cujo nome é do sambaqui a sapucai, a origem tupi Salema defende.

E o Salema?

conhece esse lado da história do negro da terra?
será que o Salema escreveu um monte de bobagens, que no caso foi tombado, pelo arquivo da cidade, e na biblioteca dp planalto o livro da Camêau espera para esclarecer o mau entendido.

abraços
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